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Dentro do tear: Beiriz Rugs

31 de ago.
4 min de leitura

Onde o património encontra o design contemporâneo

Entrar na fábrica da Beiriz Rugs, no norte de Portugal, é como mergulhar em duas épocas da produção de tapetes em simultâneo. De um lado do edifício, as máquinas de tufting trabalham sem parar; do outro, mulheres continuam a trabalhar os tapetes à mão, com ferramentas e técnicas que pouco mudaram desde a fundação da empresa. É um negócio familiar com um século de história, que sobreviveu a revoluções, mudanças de propriedade e à evolução da produção, sem perder o trabalho manual que construiu a sua reputação. Uma empresa nascida da ambição de uma mulher

A empresa foi fundada em 1919 na pequena localidade de Beiriz, e menos de uma década depois os seus tapetes já chegavam a casas e projetos em todo o mundo. O que torna a história da sua fundação notável é o facto de ter sido criada por uma mulher, Hilda Brandão, numa época em que as empresárias eram uma raridade. O primeiro tapete foi feito mesmo em frente ao local onde a fábrica se encontra hoje.

Esse tapete inicial é, na essência, o mesmo tapete hand-knotted que a empresa ainda produz hoje: um tapete de pelo alto, com base em juta, feito inteiramente à mão num tear, utilizando uma técnica que é uma variação do nó Smirna. "Tudo o que vê ali, está tudo nó a nó. Foi feito para durar, para ser confortável", afirma o diretor comercial Nuno Moreira, referindo-se às peças de herança ainda em exposição.



O património encontra o design contemporâneo A par dos tapetes hand-knotted de herança, a Beiriz construiu o seu negócio principal em torno dos tapetes hand-tufted, que permitem à empresa explorar novas texturas, acabamentos e possibilidades criativas para interiores contemporâneos. Tecnologias avançadas apoiam e refinam os processos artesanais, trazendo maior precisão a cada etapa da produção. É a mão humana, no entanto, que permanece no centro de tudo.

Das categorias Geométrico, Orgânico, Gradiente, Textura, Floral e Clássico, cada design serve como ponto de partida. Cada tapete é feito por encomenda, e os clientes são convidados a adaptar dimensões, cores, materiais e construção à sua própria visão, com tapetes disponíveis em pelo cortado, loop, cut-and-loop ou shag pile, utilizando as mesmas fibras premium presentes em todas as coleções.

Cada detalhe, desde o tamanho e a forma até à cor, matéria-prima e técnica, é definido em estreito diálogo com cada cliente, desde a primeira conversa até ao tapete acabado. O resultado é sempre uma peça que pertence a um projeto específico. Nada de estandardizado. Nada repetido. Sempre único. Da proposta de design à amostragem, do tufting ao acabamento, cada etapa é abordada com a mesma dedicação. A expertise técnica e o conhecimento acumulado guiam o processo do início ao fim, garantindo que a precisão, a consistência e a qualidade artesanal nunca são comprometidas.


Materiais, cor e sustentabilidade

A Beiriz trabalha com uma variedade de fibras premium, incluindo várias qualidades de lã, desde uma lã mais fina da Nova Zelândia a uma variante mais grossa, bem como Tencel, seda de bambu e algodão. As suas escolhas de materiais refletem uma abordagem consciente à produção: as fibras naturais e de origem responsável são selecionadas pela sua qualidade, conforto e longevidade, e a gama inclui um fio de poliéster biodegradável e reciclável, feito a partir de materiais pós-consumo, como garrafas de plástico, certificado pelo Global Recycled Standard.

A sustentabilidade atravessa o restante da produção. Todos os resíduos gerados durante a produção são reciclados, os fios descontinuados são doados a escolas de arte, e o telhado da fábrica está equipado com painéis solares, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. O compromisso mais amplo é o de criar tapetes atemporais, feitos com atenção ao detalhe e concebidos para durar. Produzida em Portugal, cada peça reflete o respeito pelo saber-fazer artesanal e um compromisso com processos de produção mais conscientes.



Um negócio B2B orientado para projetos

A Beiriz opera numa base de projeto e B2B, em vez de retalho em massa, trabalhando com arquitetos, designers de interiores e gabinetes de design em tapetes à medida para espaços específicos, incluindo hotéis. O seu showroom funciona apenas por marcação. A par disso, uma rede de distribuidores e agentes por toda a Europa, mais um em Singapura, assegura um alcance de mercado mais amplo, complementado pela produção de marca própria para outras marcas de tapetes.

A Alemanha é o mercado de exportação mais importante da empresa, servido por um distribuidor dedicado, com envios semanais para lá e para a Bélgica. O Reino Unido, os EUA e Singapura recebem envios aproximadamente de duas em duas semanas, enquanto projetos internacionais de maior dimensão, em locais como o Dubai ou Itália, seguem um calendário menos previsível. A concorrência vem quase exclusivamente de um punhado de outros fabricantes portugueses, uma vez que a produção de tufting na Europa está concentrada no país. "Uma abordagem focada à produção permite à Beiriz manter-se flexível e atenta às necessidades de cada projeto e de cada cliente", afirma Nuno.


Nada fica em stock; cada tapete é feito por medida. Um exemplo recente do trabalho manual da empresa é uma renovação em curso para um teatro nacional português: cerca de 350 metros quadrados de tapete, replicando padrões e cores tingidas à mão com 60 a 100 anos de idade, produzidos inteiramente à mão a um ritmo de cerca de vinte centímetros por dia ao longo de aproximadamente dezoito meses.


As pessoas por detrás do produto


A fábrica emprega atualmente cerca de 40 pessoas, algumas das quais trabalham o tufting à mão há trinta ou quarenta anos. É este conhecimento acumulado, construído silenciosamente no chão de fábrica ao longo de décadas, que define o padrão de cada tapete. "Às vezes uma senhora que faz tufting há trinta anos olha para um detalhe e diz: 'Temos de corrigir isto'", observa Nuno, apontando para o tipo de expertise que só o tempo e a experiência podem construir. Ele espera que a empresa continue a crescer, mas é claro que este conhecimento humano permanece no núcleo do que a Beiriz produz: "Temos pessoas que trabalham aqui há trinta, quarenta anos, e sabem fazer isto. Conhecem tapetes."



Source: Interior Daily



 
 
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